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1 de Abril de 2020

Assédio moral no trabalho

Assédio moral: ferramenta de interferência nas relações de trabalho e sociais.[1]

Celso Tolardo de Amorim
há 6 anos

I – Problema

Muito se tem dito referente ao assédio moral, porém poucos são os conceitos dados com relação às suas cousas e o quanto é prejudicial no relacionamento entre as pessoas, ao mesmo tempo em que não se questionam quanto aos problemas que este fenômeno traz a saúde mental e muitas vezes física de cada pessoa.

Foi refletindo nas ações que este fenômeno traz para as pessoas que se encontravam próximo a mim, e que reclamavam por alguma ação por parte das autoridades constituídas, bem como judicial, no sentido de recuperar sua dignidade, que comecei a me interessa pelo tema e procurar pela essência da causa primaria, ou seja, o sentido da raiz do problema, para entender o seu objetivo final.

Por muitas vezes ouvi falar que o assédio moral era uma roupagem nova para um fenômeno antigo, mas nas leituras que fiz, sobre o assédio moral, revelam que é um fenômeno que nasceu agora no século XXI, sendo um fenômeno novo, portanto, a ser estudado e explorado.

São inúmeros os autores que tratam do tema assédio moral, pois antes de qualquer coisa, temos que levar em consideração, que o assédio moral, como narrados por alguns destes autores, se torna muito mais uma questão tratada no campo psicológico do que sociológico o que eu proponho aqui é uma reflexão voltada para o campo sociológico.

II – Proposta

O presente trabalho tem por objetivo procurar elucidar o que é assédio moral, quais são suas causas e o que este fenômeno pode trazer para sociedade.

Tive como ponto de partida para início do meu trabalho a escritora, psiquiatra, psicanalista e psicoterapeuta de família Marie – France Hirigoyen, que em seu livro titulado; Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano discorre sobre sua pesquisa feita na França e nos Estados Unidos, como vitimóloga, nos alertando sobre o assédio moral.

Marie – France Hirigoyen, se mostra preocupada com amplitude que o fenômeno chegou, ultrapassando aos limites do ambiente de trabalho, invadindo os lares, as escolas e as universidades, atribuindo este fenômeno a um estado de violência perversa no cotidiano.

Pressupondo que o assédio moral já ocupou seu espaço no cotidiano das pessoas, presumimos que, se as pessoas já se encontram familiarizado com o fato da existência do fenômeno e, portanto já não se sentem mais aterrorizadas.

Bem seria simples de concluir se pudéssemos observar por este parâmetro, porém o fato é que o fenômeno, como bem nossa autora descreve, encontra-se no cotidiano, mas não porque aceitamos e sim porque o conflito psicológico passou a percorrer outros ambientes da mesma forma que se início no ambiente de trabalho, silencioso, continuo e perverso.

Partindo do pressuposto de que todo individuo tem em si estabelecido suas próprias regras, digo regras estas que se antecedem as regras coercitivas da sociedade, que norteia e normatiza a forma pela qual o indivíduo deve agir no convívio da sociedade, pois esta regra que se encontra no íntimo do ser humano, elabora a forma pela qual irá se interagir e com qual indivíduo estabelecera relações.

Com tudo isto podemos delimitar o ser humano em um espaço geograficamente político, estabelecendo assim um perímetro, digamos, o seu limite territorial em relação à outra pessoa, tornado estas pessoa autônoma e independente.

Observamos que a sociedade também estabelece suas regras, nas quais todos os indivíduos têm que se respeitar para viver em um Estado Regular de Direito, se harmonizando uns com os outros, de forma que as regras estabelecidas não se choquem, com as regras já ditas anteriormente, mas, porém tentam se harmonizarem entre si dando sentido à convivência em sociedade.

Faço esta explanação para poder dar início a minha explicação de que forma surgiu o fenômeno “assédio moral”.

Há diversas definições para o assédio moral e em todos eles estão presentes os seguintes adjetivos: a humilhação repetitiva, a dignidade, os maus-tratos, o ato de perseguição

Tendo em vista, a sociologia ser a ciência que estuda os fenômenos que ocorrem na ordem social, descrevendo-os e interpretando estes fenômenos, isto em um primeiro momento, num segundo momento é a pesquisa empírica, isto é, a ida a campo, como escrito por: Florestan Fernandes pág 29 Homem e Sociedade:

São dois os alvos teóricos fundamentais da sociologia. Primeiro, descobrir explanações que permitam descrever e interpretar os fenômenos sociais em termos da ordem existente nas condições e nos níveis de sua manifestação. Segundo por em evidência as relações dinâmicas da ordem social ou de fatores sociais com as formas de vida (Florestan Fernandes 1983).

O que eu quero mostrar com isto? Se a sociologia é uma ciência que estuda os fenômenos sociais e sendo o assédio moral um fenômeno que nasce no seio desta sociedade, porque não estudá-la, vejo nesse assédio moral uma patologia que tem que ser tratada antes que venha a comprometer as relações sociais dentro da sociedade, como descrito em artigo pelo psicólogo Roberto Heloani[3]:

se não nos solidarizarmos com as vítimas de assédio moral por senso de justiça e bondade, deveremos fazê-lo por inteligência... Amanhã qualquer um de nós poderá vir ser uma delas...”

III – Uma previa das informações acumuladas

O assédio moral torna–se uma ferramenta de tortura moderna nas mãos de quem sabe manipulá-la, tornando a vida de sua vítima ou assediado um verdadeiro caos.

Esta ferramenta de tortura moderna restringe o espaço do assediado, impedindo com que tenha mobilidades físicas, intelectuais, cognitivas, bem como abala de forma perversa o seu psíquico, muitas vezes o afastando de suas atividades profissionais, de seus deveres para com a família e até mesmo sua socialização ao grupo que pertença, isto se dá pela falta da motivação que lhe foi retirado.

Nas leituras que acumulei até aqui, notei que o princípio do assédio moral não é o financeiro, e sim, visa o poder absoluto por parte do assediador ou agressor, o assédio moral não é particular de uma classe, de uma categoria, de pessoas menos esclarecidas, de pouca escolaridade, de etnias ou credo, o assédio moral pode ocorre em dois tipos tanto horizontal como na vertical.

Na horizontal é compreende o assédio de pessoas de mesmo nível hierárquico que disputam posições de cargo ou de uma promoção, neste casso tanto a chefia como os subordinados podem ocupar o lugar de vítima como também de agressor.

Na vertical, neste caso temos dois tipos: o acedente que ocorre do subordinado para o superior e o descendente, que ocorrem do superior hierárquico para os subordinados, este último é o mais decorrente nos diversos locais de trabalho tanto privado como público nos dias de hoje.

Estes tipos de assédio moral serão melhores esclarecidos no decorrer do meu trabalho, até mesmo por que, aqui pretendo relatar de forma resumida as informações acumuladas por este graduando no decorrer deste primeiro semestre.

O tema aqui pleiteado, embora este fenômeno seja novo, é envolvida por uma complexidade de entendimento muito grande, na qual se caminha para uma diversidade de conceitos e definições que podem confundir o que realmente é assédio moral.

IV - Conclusão

Neste trabalho proponho mostrar que todos os conceitos e definições, levam a desagregação nas relações humana, no meu ponto de vista temos que encontrar uma maneira de minimizar esta tortura que não tem outro objetivo se não a desconstrução de toda a estrutura já existente, das regras que foram construídas por muitos anos, correndo o risco de atender de um capricho particular de um indivíduo, dando margem para questionar se vale à pena obedecer estas regras.

V – Fontes Bibliográficas lidas.

HIRIGOYEN, Marie-France, Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano, tradução de Maria Helena Kühnes, 9ª edição, Rio de Janeiro, editora Bertrand Brasil, 2007.

HELOANI, J. R. M., Assédio moral – um ensaio sobre a expropriação da dignidade no trabalho, www.scielo.br, RAE eletrônica, ISSN 1676-5648, v.3 n. 1 São Paulo, jan/jun. 2004, DOI 10.1590/51676-56482004000100013.

DE FREITAS, Maria Ester, Quem paga a conta do assédio moral no trabalho?, www.scielo.br RAE eletrônica, ISSN 1676-5648, v.6 n. 1 São Paulo, jan./jun. 2007, DOI 10.1590/51676-56482007000100011.

VI - Referências Bibliográficas.

HIRIGOYEN, Marie-France, Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano, tradução de Maria Helena Kühnes, 9ª edição, editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2007.

HELOANI, J. R. M., Assédio moral – um ensaio sobre a expropriação da dignidade no trabalho, www.scielo.br, RAE eletrônica, ISSN 1676-5648, v.3 n. 1 São Paulo, jan/jun. 2004, DOI 10.1590/51676-56482004000100013.

CARDOSO, Fernando Henrique, IANNI, Otávio, Homem e sociedades: leitura básica de sociologia geral, 13ª edição, Editora Nacional, São Paulo, 1983.


[1] Produto parcial do Trabalho.

[2] Sociólogo e Classe Distinta da Guarda Civil Metropolitano.

[3] Assédio Moral – um ensaio sobre a expropriação da dignidade no trabalho..

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